Em visita à Suécia, Centro de Estudos em Biogás fortalece cooperação internacional
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Responsabilidade editorial: Biometano News

Uma comitiva do Centro Paulista de Estudos em Biogás e Bioprodutos (CP2b), vinculado ao Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico (Nipe) da Unicamp participou, em setembro, de um intercâmbio científico na Suécia que incluiu visitas a instalações da indústria de biogás e atividades na Universidade Linköping (LiU), uma das instituições de referência internacional em pesquisas relacionadas a esse combustível.
A iniciativa possibilitou conhecer de perto plantas em escala comercial, modelos de aproveitamento de resíduos e experiências de integração entre universidades, empresas, produtores rurais e poder público.
O convite para a participação brasileira foi realizado pelo professor Alex Enrich Prast, da Universidade Linköping e pesquisador do Biogas Solutions Research Center (BSRC). O professor desenvolve pesquisas relacionadas aos processos anaeróbios, produção de biogás e valorização do digestato e integra o grupo de pesquisadores do BSRC.
O BSRC é um centro nacional de competência dedicado ao desenvolvimento de soluções inovadoras e eficientes para o biogás. Sua atuação multidisciplinar e a proximidade entre pesquisa científica, indústria e aplicação prática fazem do centro uma importante referência para a consolidação de iniciativas semelhantes em outros países.
Da esquerda para direita: Maria Paula Volpi, Ana Beatriz Aguiar,
O convite para a participação brasileira foi realizado pelo professor Alex Enrich Prast, da Universidade Linköping e pesquisador do Biogas Solutions Research Center (BSRC). O professor desenvolve pesquisas relacionadas aos processos anaeróbios, produção de biogás e valorização do digestato e integra o grupo de pesquisadores do BSRC.
O BSRC é um centro nacional de competência dedicado ao desenvolvimento de soluções inovadoras e eficientes para o biogás. Sua atuação multidisciplinar e a proximidade entre pesquisa científica, indústria e aplicação prática fazem do centro uma importante referência para a consolidação de iniciativas semelhantes em outros países.
Da esquerda para direita: Maria Paula Volpi, Ana Beatriz Aguiar,
Alex Prast, Bruna Moraes e Renata Rodriguez
Para as pesquisadoras, essa estrutura possui especial significado para o CP2b. Apesar de estar inserido em uma realidade distinta, o BSRC representa uma inspiração para o desenvolvimento do centro brasileiro, principalmente pela capacidade de reunir diferentes instituições e setores em torno de desafios comuns, transformando conhecimento científico em soluções aplicáveis à sociedade.
Como parte da atividade Biogas Tour, as pesquisadoras visitaram diferentes plantas de biogás, biorrefinarias, instalações industriais e propriedades rurais em cidades do sul da Suécia.
Para as pesquisadoras, essa estrutura possui especial significado para o CP2b. Apesar de estar inserido em uma realidade distinta, o BSRC representa uma inspiração para o desenvolvimento do centro brasileiro, principalmente pela capacidade de reunir diferentes instituições e setores em torno de desafios comuns, transformando conhecimento científico em soluções aplicáveis à sociedade.
Como parte da atividade Biogas Tour, as pesquisadoras visitaram diferentes plantas de biogás, biorrefinarias, instalações industriais e propriedades rurais em cidades do sul da Suécia.
Foram observados sistemas que utilizam diferentes tipos de matérias-primas, como resíduos alimentares, dejetos animais e resíduos agrícolas, frequentemente combinados em processos de codigestão. Além da produção e utilização do biogás e do biometano, chamou atenção o aproveitamento do digestato como biofertilizante, inserindo a digestão anaeróbia em cadeias mais amplas de economia circular.
A vice-diretora do CP2b, Renata Piacentini Rodriguez, ressaltou a naturalidade com que a produção de biogás está incorporada ao cotidiano e às estratégias de gerenciamento de resíduos na Suécia. “Algo que me chamou muito a atenção foi que plantas de biogás já são uma realidade presente e comum para eles, digerindo vários tipos de resíduos, seja em mono ou codigestão, mas frequentemente em codigestão.
A vice-diretora do CP2b, Renata Piacentini Rodriguez, ressaltou a naturalidade com que a produção de biogás está incorporada ao cotidiano e às estratégias de gerenciamento de resíduos na Suécia. “Algo que me chamou muito a atenção foi que plantas de biogás já são uma realidade presente e comum para eles, digerindo vários tipos de resíduos, seja em mono ou codigestão, mas frequentemente em codigestão.
Isso se diferencia muito da realidade brasileira, onde ainda estamos discutindo se é viável ou não investir em plantas para resíduos agropecuários. Isso já é realidade lá e não é nenhuma novidade. Para eles, o biogás é uma solução consolidada de recuperação energética dos resíduos agroindustriais e alimentares”, afirmou.
Outro aspecto observado durante a visita foi a própria relação da sociedade sueca com os resíduos.
Outro aspecto observado durante a visita foi a própria relação da sociedade sueca com os resíduos.
“A separação do lixo e dos resíduos é algo já consolidado na cultura e acontece de forma bastante organizada e orgânica. Existe também essa ideia de que é preciso pensar em soluções nacionais que diminuam a dependência de fontes de energia externas. Eles têm uma preocupação grande com a soberania de suas reservas, não apenas energéticas, mas também em outros setores”, acrescenta Rodriguez.
Para a pós-doutoranda do CP2b Ana Beatriz Soares Aguiar, a experiência também demonstrou como a produção descentralizada pode ampliar as possibilidades do biogás.
“Visitamos plantas de biogás que operam com diferentes substratos, como resíduos alimentares, esterco e resíduos agrícolas. Chamou nossa atenção o interesse até de pequenos produtores rurais na produção de biogás e bioprodutos, além do aproveitamento quase total dos resíduos orgânicos. É um grande exemplo para o Brasil, que tem um potencial superior, especialmente no setor sucroenergético e na agropecuária, mas ainda aproveita pouco esses resíduos. Nosso objetivo é fazer essa ponte, adaptando esses aprendizados à realidade brasileira e fortalecendo a cooperação entre os dois países”, afirma.
Além das visitas técnicas, a agenda incluiu atividades na Universidade Linköping, permitindo maior aproximação com pesquisadores envolvidos no desenvolvimento científico e tecnológico do setor.
Além das visitas técnicas, a agenda incluiu atividades na Universidade Linköping, permitindo maior aproximação com pesquisadores envolvidos no desenvolvimento científico e tecnológico do setor.
A universidade abriga uma estrutura de pesquisa voltada à compreensão e otimização dos processos de digestão anaeróbia, incluindo estudos relacionados à produção de metano, características dos substratos e qualidade do biofertilizante.
Segundo a diretora do CP2b, Bruna de Souza Moraes, essa aproximação tornou mais concretas diferentes possibilidades de cooperação entre os dois países.
Segundo a diretora do CP2b, Bruna de Souza Moraes, essa aproximação tornou mais concretas diferentes possibilidades de cooperação entre os dois países.
O contato direto permitiu conhecer melhor as expertises, áreas de atuação, laboratórios e infraestruturas dos grupos suecos e abriu perspectivas para projetos e publicações conjuntas, intercâmbio de estudantes e pesquisadores, bolsas-sanduíche de doutorado e mestrado, estágios de pesquisa e ações de capacitação.
“A experiência aproximou ainda mais os pesquisadores brasileiros e suecos e tornou muito mais concreto pensar em novas possibilidades de cooperação. A visita não se encerra nela mesma, mas cria uma agenda de continuidade e novas oportunidades de internacionalização para pesquisadores, estudantes e instituições dos dois países”, destaca Moraes.
Moraes destaca que essa experiência sintetiza a ideia de“pensar globalmente, agir localmente”. Segundo a diretora, a internacionalização não significa apenas buscar conhecimento em centros consolidados no exterior, mas também apresentar as competências, soluções e tecnologias que vêm sendo desenvolvidas no Brasil.
“O BSRC foi uma das referências que inspiraram o CP2b, especialmente pela integração entre diferentes atores e pela busca por soluções associadas à simbiose industrial. Mas não se trata de simplesmente importar um modelo sueco. Brasil e Suécia têm realidades, recursos, desafios e oportunidades muito diferentes. Precisamos conhecer essas referências e adaptá-las às nossas condições”, afirma.
Durante a visita, o grupo também apresentou iniciativas desenvolvidas no próprio CP2b, entre elas a Pilar-2B, voltada à identificação de atores, fluxos e oportunidades de integração em cadeias relacionadas ao biogás, biofertilizantes e bioprodutos.
“A experiência aproximou ainda mais os pesquisadores brasileiros e suecos e tornou muito mais concreto pensar em novas possibilidades de cooperação. A visita não se encerra nela mesma, mas cria uma agenda de continuidade e novas oportunidades de internacionalização para pesquisadores, estudantes e instituições dos dois países”, destaca Moraes.
Moraes destaca que essa experiência sintetiza a ideia de“pensar globalmente, agir localmente”. Segundo a diretora, a internacionalização não significa apenas buscar conhecimento em centros consolidados no exterior, mas também apresentar as competências, soluções e tecnologias que vêm sendo desenvolvidas no Brasil.
“O BSRC foi uma das referências que inspiraram o CP2b, especialmente pela integração entre diferentes atores e pela busca por soluções associadas à simbiose industrial. Mas não se trata de simplesmente importar um modelo sueco. Brasil e Suécia têm realidades, recursos, desafios e oportunidades muito diferentes. Precisamos conhecer essas referências e adaptá-las às nossas condições”, afirma.
Durante a visita, o grupo também apresentou iniciativas desenvolvidas no próprio CP2b, entre elas a Pilar-2B, voltada à identificação de atores, fluxos e oportunidades de integração em cadeias relacionadas ao biogás, biofertilizantes e bioprodutos.
A proposta despertou interesse entre pesquisadores suecos e reforçou a importância de uma internacionalização baseada não apenas na absorção de conhecimento, mas também na valorização das soluções desenvolvidas no Brasil.
Mais do que reproduzir modelos desenvolvidos na Europa, portanto, as pesquisadoras destacam que o objetivo da cooperação é compreender quais elementos podem ser adaptados às particularidades brasileiras.
Mais do que reproduzir modelos desenvolvidos na Europa, portanto, as pesquisadoras destacam que o objetivo da cooperação é compreender quais elementos podem ser adaptados às particularidades brasileiras.
Enquanto a Suécia possui uma trajetória consolidada no aproveitamento energético de resíduos, o Brasil reúne uma escala e uma diversidade de biomassas bastante particulares, com oportunidades especialmente relevantes em cadeias como a cana-de-açúcar, a pecuária, a produção de alimentos e outros segmentos agroindustriais.
Publicado originalmente em biometanonews.blogspot.com

